28.8.07

Ser de Deus e da Carne ou Carta a um Amigo Espírita

É totalmente possível! Até porque não dá para tampar o sol com a peneira. O que é, simplesmente é.

Certamente para mim não foi fácil no começo, nem para minha família... Mas nada que o tempo não cure. :)

E mesmo no relacionamento: não é o meu primeiro, talvez não seja o último. Só o tempo sabe. E ele vai ensinando a gente a escolher as experiências por que a gente quer ou tem de passar... E estar 2 anos e meio juntos tem muita dor envolvida também... Dor que a gente mesmo cria, pela ignorância; dor que se cura quando se cura o nosso olhar... Temos quebrado sucessivos paradigmas românticos. Até mesmo valores do tal relacionamento hétero não nos cabem. O tradicional às vezes não nos cabe. Cabe para outros? Só os outros podem responder. A gente está tentando achar um jeito nosso de amar. Esculpido especialmente para nós, por nós.

Ter consciência é mais que "ter juízo", é ter alguma clareza do que se sente, do que se deseja, do que se quer, do que se é... Segundo qual régua a gente tem de viver senão a nossa própria? Porque a régua de Jesus caia (e cai) bem para ele. Ela é sim um modelo para nós, mas nem sempre cabe em nós. E às vezes é doloroso tentar vestir uma "roupa" que não nos cabe, muito apertada; e numa muito frouxa a gente certamente vai tropeçar.

(a terapia tem ajudado bastante)

A tal evolução me parece muito mais orgânica que racional, enfim. O melhor disso tudo é que quando a gente assume que pode errar, que pode doer, tudo dói muto menos, ou nem dói, enfim. Não seria isso a felicidade? A felicidade do olhar. Como olhar.

(eu tô bem sinestésico hoje... metido a poético)

Eu não me sinto desvinculado do espiritismo. Talvez eu esteja fazendo menos preces... ("prece" no sentido formal e periódico da palavra). Mas nem por isso não estou me espiritualizando, me religando, me melhorando... Mesmo o espiritismo tem seus dogmas, não pela doutrina, mas pelos espíritas. E falo isso, claro, sem nenhum ressentimento, nem nenhum ar de superioridade ou qualquer coisa assim. Mais do que estudar, senti necessidade de viver, de experimentar. A gente não vivia falando da prática da doutrina e coisa e tal? Acho que de tanta bitola (minha, repito) em estudar, em querer ser algo que eu nem mesmo sabia o quê (ou nem mesmo entendia a grandeza e, aí sim, morava uma certa pretensão), eu nem me permitia entrar em contato com experiências nas quais tentaria aplicar o que talvez eu tivesse aprendido.

(ai, a nossa cultura judaico-cristã, de certa forma, nos massacra)