20.12.06

Desafinações

Fim de ano, muitas festinhas de celebração. Gente que não aparecia há muito, reaparece; nem que seja só num scrap-vírus-mosaico-bichinhos no Orkut.

Eu fui ao amigo secreto do pessoal da minha turma da escola de teatro. Eu costumava dizer que não tinha muita afinidade com eles. Ou, pelo menos, só tinha com poucos deles. Era estranho para o CDF da turma (sim, no teatro eu também era Cedeéfe - eu e essa minha mania irritante de Bom Menino), moleque suuuuuuper empolgado com o novo brinquedinho, saciando a fome de conhecimento que o toma todos os dias, não ver eles a mesma fome de aprender. Esse é o erro básico de todo Coxinha: achar que todo mundo pensa como ele. Pobre Coxinha.

Na verdade, era uma outra empolgação que eles tinham. E eles tinham, afe. Ou era um outro jeito de aprender. Tinha um lá em quem eu declaradamente desejava dar uma voadora nas costas (imagine a cena do filme trash, mas com efeitos Matrix). Eu lá, todo concentrado, todo enmimesmado, todo sentimento (para mim não era muito fácil demonstrar essas farpas e faíscas de mim), todo música, todo poesia, todo severino... e ELE LÁ DANÇANDO QUE NEM CHACRETE! (não merecia a voadora? Me dá raiva só de lembrar...).

Enfim, saímos da Escola e remontamos "profissionalmente" uma das peças do nosso repertório. Entre aspas mesmo, porque ainda tínhamos (e temos) muito de amadores (o que não é necessariamente ruim). Entre tapas e beijos, entre casa cheia e mais-gente-no-palco-que-na-platéia, a temporada acabou. Foi uma pequena morte (dessas que não nos levam a vida) e também um descanso. Como o alívio depois do prazer, aquela hora gostosa da larica... Com a vantagem de aquele(a) parceiro(a) com quem você não tem nem quer vínculo também ter ido embora!

E lá me fui para o amigo secreto, presentinho na mão. Ganhei um DVD da Marisa Monte (aliás, esse era o meu cantante apelido) que eu já tinha (e nem tive a sensibilidade de dizer que não tinha, para depois trocar - eu e essa minha mania de sinceridade - o Bom Menino de novo).

Surpresa para mim foi ter reconhecido que sentia saudades deles. A cada abraço de reencontro, uma sensação boa. !, !! e !!!. Como assim? Saudades daqueles que me zoavam tanto? (e pelas costas também, pois um mais dedo-duro me contava boa parte das estórias). SIM!

Eu que sempre odiava fervorosamente todos os chatos que me zoavam na escola (agora tô falando de primário e ginásio), tinha sublimado essa tradicional dicotomia. Mais ainda: tinha um certo amor fraternal envolvido. Sabe aquele irmão pentelho de que você sente saudades quando viaja porque parou de te encher os picuá?

E comemos, e bebemos, e embebedamos uma mais tímida, e falamos mal de todos, todos juntos.

Quero fazer a segunda temporada com eles da tal peça profissionalizada no ano que vem, mas será que vou querer fazer uma outra? Será que eles vão querer? Típica resposta que talvez o Tempo saiba.

Enfim, percebi que gosto deles, tenho carinho e admiração por muitos motivos que me pipocam agora à memória, e ainda ódio por muitas outros. Como só quando o irmão pentelho volta da viagem.

3 comentários:

Anônimo disse...

Como em Miss Sunshine: o irritante/esquisito também é amável. Ainda bem que nem todos nossos afetos são conscientes. Imagina quanta paranóia acumulada de não perder, de ciúmes, de saudade, de preocupação ...

Anônimo disse...

Tô curioso para saber quem era a chacrete! kkkk
Só aprendemos nas dificuldades, não é?

Curumim disse...

Afe, Van, é verdade... Já basta namoro, família e adjacências.

Eto,
A cahcrete vc não conheceu, ele não estava na Farsa. O episódio rita-cadillaquiano foi no Morte e Vida Severina... E a chacrete também era o Severino. Pronto, falei.