Fazia tempo que não via o Fê, um dos meus irmãos de alma. Ontem, nos encontramos num boteco e depois viemos para casa. Cada um teve uma ideia: eu abri o vinho, o Eto preparou uns comes, o Fê bolou outras coisas. Pus o Mac para tocar aleatoriamente. Risos, muitos risos.
De repente, começou a tocar a música que eu tinha elegido para ser "a" da semana passada. Ela ganhou este título não por ser objeto de estudo de minha futura monografia sobre perdas (da Pós de Semiótica Psicanalítica), mas porque fala de tudo o que tenho percebido sobre a minha relação com meu pai. E sobre o quanto eu não tinha me permitido sentir algumas dores. Nem ter me perdoado por tantas outras. E o quanto ele sempre esteve lá. O quanto eu não enxergava isso. O quanto sou só uma criança perto dele. O quanto eu não estou preparado.
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O VELHO E O MOÇO (Los Hermanos)
Deixo tudo assim
Não me importo em ver a idade em mim
Ouço o que convém
Eu gosto é do gasto
Sei do incômodo e ela tem razão
Quando vem dizer, que eu preciso sim
De todo o cuidado
E se eu fosse o primeiro a voltar
Pra mudar o que eu fiz
Quem então agora eu seria?
Ahh, tanto faz
E o que não foi não é
Eu sei que ainda vou voltar
Mas eu quem será?
Deixo tudo assim, não me acanho em ver
vaidade em mim
Eu digo o que condiz.
Eu gosto é do estrago.
Sei do escândalo e eles têm razão
Quando vem dizer que eu não sei medir
nem tempo e nem medo
E se eu for o primeiro
A prever e poder desistir
do que for dar errado?
Ahhh
Olha, se não sou eu
quem mais vai decidir
o que é bom pra mim?
Dispenso a previsão
Ahhh, se o que eu sou
É também o que eu escolhi ser
aceito a condição
Vou levando assim
Que o acaso é amigo do meu coração
Quando falo comigo, quando eu sei ouvir.
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Assim que começaram os primeiros acordes, eu disse pro Mac:
- Eu não te pedi pra tocar isso!!!
(pausa longa)
- Pedi sim.
E comecei a chorar.
8.11.09
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